A Samurai e a beleza da imperfeição

A Samurai e a beleza da imperfeição

Existe um conceito na cultura japonesa chamado Wabi Sabi, que significa, em linhas gerais, a beleza da imperfeição. Os japoneses apreciam o incompleto, o único, as marcas deixadas pela passagem do tempo, o que faz daquele objeto único e dá a ele valor.

Acredito que a busca pela perfeição tende a enlouquecer qualquer pessoa. Eu, como artista, passo horas refletindo sobre como melhorar meu trabalho, como transmitir a minha mensagem da melhor forma possível. Quando as coisas não saem como eu espero, a tendência é que eu me frustre na hora. Eis uma forma pouco saudável da busca pela perfeição.

Eu amo a HQ A Samurai do jeito que ela é. Foi um trabalho que nasceu da união do trabalho de 11 pessoas e apenas existe no mundo dessa forma pela combinação do esforço de todos. A publicação é fruto de todos os nossos erros e acertos, tudo o que aprendemos durante o processo. Por isso, considero-a um trabalho wabi sabi: porque vejo no resultado a beleza da nossa imperfeita caminhada.

Michiko, uma protagonista em conflito

Michiko, uma protagonista em conflito

»»»Cuidado! Este post contem spoilers da HQ A Samurai«««

Michiko se torna uma samurai para lutar pelos seus sonhos e encontrar a sua família. No entanto, quando ela acredita que está prestes a alcançar o seu objetivo, sente-se responsável pela morte da família do senhor feudal Nobuhiro, seu danna (mecenas).

Como alguém que sonha em encontrar a família e não mede esforços para alcançar seus sonhos é capaz de acabar com outras famílias? Como pode alguém que preza tanto pelo bem estar das pessoas ao seu redor manchar suas mãos com sangue inocente?

Eis a beleza de um bom personagem: ele se contradiz.

Todos nos contradizemos, o tempo inteiro. Não importa a idade, o gênero, as crenças, nada. Em um momento fazemos uma coisa e, no outro, fazemos o oposto. Por isso, os personagens mais envolventes são os imperfeitos. Eles causam identificação.

Em A Samurai: Primeira Batalha eu trabalho exatamente com essa contradição da Michiko, mas vou um pouco além. Ao sujar as mãos com sangue inocente pela primeira vez, ela enfrenta um conflito moral enorme, que dá o tom da trama da HQ.

Ficou curioso para saber o desfecho dessa história? Então é sua vez de ingressar para o exército samurai da Michiko e apoiar o projeto!

Planejando o roteiro da HQ A Samurai

Planejando o roteiro da HQ A Samurai

Pensar em um roteiro para HQ é um desafio e tanto, ainda mais quando o objetivo é entrega-lo para que outra pessoa desenhe a história. Eu adoro escrever HQs, mas não sei desenhar nem homem palitinho!

Foi preciso ter muita imaginação, paciência, clareza da história e humildade para receber sugestões dos artistas com quem eu estava trabalhando. Antes de começar a escrever, pesquisei bastante sobre técnicas de escrita, prática que me fez amadurecer como escritora (e, posteriormente, me ajudou a elaborar o site Oficina de Escrita).

Como meu processo criativo é o fluxo de pensamento, ao escrever o roteiro para A Samurai, tentei segurar um pouco meu ímpeto de já sair escrevendo. Primeiro eu pensei muito bem sobre a Michiko, personagem principal e depois nos demais personagens. Então elaborei o tema da história, pensando no ponto de saída e de chegada (ou seja, início e fim).

Feito isso, escolhi os nomes dos capítulos e resumi o que aconteceria em cada um deles. Só depois distribuí as cores e qual artista desenharia cada pedaço. E, enfim, comecei a escrever.

Os quadrinistas que trabalham comigo sabem que são livres para criar dentro da narrativa. Eles podem tirar ou adicionar quadros, reposicionar falas, adaptar o gestual e o movimento da cena e tudo mais – desde que seja para melhorar a narrativa da HQ. Dessa forma, somos todos criadores da história e, por isso, faço questão de colocar o nome de todos na capa.