Xena, Lucy, Anne e Marine: as mentoras espirituais da Samurai

Xena, Lucy, Anne e Marine: as mentoras espirituais da Samurai

Eu amo personagens femininas fortes. Sério mesmo. Desde o primeiro volume de A Samurai, descobri que só quero criar protagonistas guerreiras que lutam pelos seus sonhos. Sinto-me realizada quando percebo que as pessoas se identificam com ela, que querem lutar também. Pessoas que entendem a importância da representatividade feminina. Meninas de todas as idades leem e se identificam com a personagem.

A cultura japonesa entrou na minha vida através de um desenho chamado Guerreiras Mágicas de Rayearth. É a história de três adolescentes que são convocadas para um mundo mágico e precisam salvar a soberana das garras do mal. Só que essas meninas (Lucy, Anne e Marine) têm que aprender a lutar e enfrentam dezenas de desafios para atingir o objetivo. Elas sangram, brigam, sentem saudade de casa, são enganadas, sofrem perdas e aprendem a lidar umas com as outras. É girl power total!

Eu cresci acreditando em todos os valores transmitidos pela história: um verdadeiro lute como uma garota.

Agora, quando o assunto é briga, não tem ninguém que vença Xena, a Princesa Guerreira. Eu simplesmente A-M-O a personagem, a história (inclusive as temporadas mais loucas do final), a forma como ela lida com os problemas, as roupas dela, a arma que ela usa, TU-DO! Sem dúvida nenhuma, a Michiko tem muito da Xena, o lado mais samurai destemida, inconsequente e louca é da Xena.

Estou certa de que o mundo precisa de mais e mais personagens empoderadas. Contem comigo para povoá-lo com muitas princesas guerreiras.

A origem de Michiko, protagonista de A Samurai

A origem de Michiko, protagonista de A Samurai

»»»Cuidado! Este post contem spoilers da HQ A Samurai«««

A Michiko nasceu em um conto que leva o nome dela, escrito por mim em 2008, enquanto participava de uma oficina de Criação Literária. Era o ano do centenário da imigração japonesa no Brasil e eu, envolvida nos eventos comemorativos da data, usei a temática imigratória como inspiração.

Li muitas fábulas fantásticas durante a oficina, selecionadas pela ministrante da oficina, Marilia Kubota. Foi com essa influência toda que a Michiko nasceu. No conto ela é uma imigrante que trabalha numa fazenda do interior (sempre imagino a divisa do Paraná com São Paulo) colhendo café.

No início do século XX, o Japão vivia uma superlotação e o Brasil precisava de mão de obra. Os agentes da imigração diziam aos japoneses que o café brasileiro era o ouro que se colhia em árvore. E os japoneses acreditaram.

Já no conto, Michiko tem uma forte ligação com o pai. Ao vê-lo morrer, ela corre tanto que acaba saltando no tempo (assim como no mangá Toki wo kakeru shoujo), volta 15 anos e encontra sua família antes de imigrarem para o Brasil. E esse mesmo salto transforma os grãos de café no seu bolso em pepitas de ouro.

Mais um salto, e Michiko vai para o passado, acordando rodeada por gueixas. E assim começa a história de A Samurai, uma guerreira a frente do seu tempo simplesmente porque é ela quem decide em qual tempo quer lutar.

Michiko, uma delicada e talentosa gueixa

Michiko, uma delicada e talentosa gueixa

No Japão feudal, era comum que os pais vendessem suas filhas pequenas ao okiya, a casa das gueixas. E foi exatamente isso que aconteceu com a Michiko. Desde muito pequena, ela treinou para ser uma grande artista, capaz de dançar, cantar, tocar instrumentos e manter conversas interessantes com os homens.

Mas Michiko não é boba. Ao mesmo tempo que ela sonha em encontrar a sua família, treina com dedicação para ser uma das melhores gueixas do seu okiya a fim de não levantar suspeitas. Tanto que acaba chamando a atenção de Nobuhiro, um poderoso daimyou (senhor feudal) que se torna seu danna (mecenas).

Uma vez dentro do okiya, a gueixa vive como um lindo peixe dourado dentro de um aquário, sem permissão para ir e vir. A única forma de uma gueixa ter liberdade é através de um mecenas. Por isso, ao ser uma boa gueixa e conseguir o seu danna, Michiko finalmente consegue ser livre e fica mais próxima do seu sonho.

Vale lembrar que as gueixas não são prostitutas. Elas são artistas que entretém e fazem companhia aos homens que as contratam. Elas não são pagas para ter relações sexuais, exceto quando vendem seu omiyage (a primeira vez).